domingo, 27 de março de 2016

PMDB - " O Partido eficiente"

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (27):
O PMDB do Rio de Janeiro avisou para integrantes do comando nacional do partido que vai desembarcar do governo Dilma Rousseff. Alguma surpresa? Nenhuma. É assim que funcionam as diversas forças regionais que compõem a sigla. E olha quem comanda o partido do Rio: Jorge Picciani, que é pai de Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara dos Deputados e dilmista de última hora.
Dilmista sim, da mesma forma que era um comandado de Eduardo Cunha até perceber que o presidente da Câmara estava, digamos, diante do pelotão de fuzilamento. Agora, o grupo da família Picciani sente cheiro de carne queimada e começa a retirar seus navios do porto governista. Retirar e aportar navios, sim. Jamais queimá-los. Com uma ou outra nuance diferente, é essa a trajetória do PMDB nas últimas duas décadas.
Caso a nova posição do PMDB carioca se mantenha por algum tempo, a situação política da presidente Dilma Rousseff fica muito mais precária. Para não dizer insustentável. A célula carioca do partido possui 10% do diretório nacional e pode levar consigo lideranças de peso como o governador do Estado e o prefeito da Capital.
A questão é a seguinte: nas atuais circunstâncias, acossado por escândalos, desconfianças, dificuldade de articulação e tudo o mais, o Governo só tem uma arma para tentar manter o PMDB longe da proposta de impeachment. No caso, distribuir cargos a rodo. Ou seja, mais escândalos e mais desorganização administrativa.
Mas, atenção: este texto foi produzido na última sexta-feira, feriado de Páscoa. Normalmente, a política para nesses feriadões. No entanto, o processo político está sob a regência de fatos que não domina. O epicentro dos terremotos é em Curitiba, onde está instalada a força-tarefa da Operação Lava Jato.
Nas atuais condições de clima e temperatura, a guinada do PMDB do Rio de Janeiro deve ser seguida de outras. Não duvidem se o próprio Leonardo Picciani anunciar nos próximos dias que vai seguir a orientação do querido pai. Assim, se vão os votos pró-Dilma que ainda vicejam na Comissão do Impeachment.
Como é próprio dos processos políticos em ebulição, a mudança do rito do processo de impeachment, imposto por decisão do Supremo Tribunal Federal, acabou se virando contra os interesses do próprio Governo, que havia comemorado a decisão da corte como sendo uma grande vitória. Na prática, o Supremo, ao intervir, concedeu mais legitimidade legal ao processo.
Os próximos dias são decisivos (verdade que essa frase vem se repetindo ao longo dos últimos meses). A balança vai pender de modo (talvez) definitivo para onde for o PMDB. O partido só não debandou geral ainda por um fato muito simples: seus próceres são sócios da bandalheira que se apropriou dos fundos públicos.
A propósito, o jornalista Josias de Souza (Uol) resumiu a coisa da seguinte forma: “Ah, o PMDB. Isso é que é partido eficiente! Ajuda eleger, vira cúmplice no assalto às arcas públicas, rompe fazendo cara de nojo e prepara, estalando de pureza moral, a transição que levará Michel Temer à poltrona de presidente da República com o apoio da oposição. Exausto de ajudar Dilma, o principal aliado do Planalto concluiu que chegou a hora de substitui-la. E não há Lula capaz de fazer ao PMDB oferta tão tentadora quanto a troca de sete cadeiras de ministro sob Dilma pela poltrona de presidente num cada vez menos hipotético governo-tampão de Temer. A essa altura, só há uma força em condições de deter os planos do PMDB: a Lava Jato”.

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